Opinião: Não falta maturidade, mas sim equilíbrio e paciência

Na coletiva após a derrota do Santos FC de 2 a 1 para o Palmeiras na Vila Belmiro, em jogo válido pela 9ª rodada do Campeonato Paulista, o técnico Dorival Júnior foi muito questionado em relação a uma possível falta de maturidade da sua equipe.

Santista comemoram gol contra o Palmeiras no último domingo (Foto: Ivan Storti/Santos FC)

Santista comemoram gol contra o Palmeiras no último domingo (Foto: Ivan Storti/Santos FC)

A pergunta se torna plausível se enxergamos apenas como ocorreu a construção dos últimos resultados adversos do Peixe. Pontos em comum, como a inversão de placar, semelhante à forma que ocorreu com São Paulo e Palmeiras, quando o Santos vencia e ditava o ritmo de jogo até sofrer gols que resultaram em viradas.

Outro quesito a ser analisado são os gols sofridos nos dois últimos “quartos” do jogo, como nas partidas contra a Ferroviária e Corinthians, podem até fazer acreditar que um time com uma base consolidada desde 2015, ainda não tenha alcançado um nível de maturidade suficiente para conseguir assegurar um resultado. No entanto, se deixássemos de assistir partidas e tentar enxergar e entender como o jogo realmente é, essa hipótese jamais seria colocada em questão.

Um time que tem uma espinha dorsal formada em 2015, com um elenco em que a média de idade é de aproximadamente 25 anos, com jogadores como Ricardo Oliveira, Renato e Vanderlei, não está deixando de conquistar resultados por não ter maturidade. Em alguns jogos, o Peixe não tem transformado suas performances em resultados por não conseguir alcançar um equilíbrio que seja suficiente para fazer com que a intensidade e a atenção apresentada em algumas fases da partida, acompanhem o time durante os 90 minutos.

Nos jogos diante de São Paulo, Ferroviária e Palmeiras, durante o primeiro tempo e em alguns momentos do segundo, o time santista apresentou uma rica variação de ideias de jogo, como a alternação de posse de bola vertical e lateral, marcação alta e baixa em bloco, além de fazer com que nenhum jogador guarde posição.

Essas ideias foram acompanhadas de muita intensidade e fizeram um time que aparentemente ainda não aprendeu a dosar o nivel de tensão, se desgastar fisicamente e psicologicamente, a ponto de não conseguir fazer a manutenção e consolidação de um resultado.

Outro problema que tem interferido diretamente no ambiente do clube é a falta de paciência dos milhares de técnicos que não se contentam em passar vergonha no “crédito e no débito”, ao proliferar opiniões sem qualquer base e que só servem para tumultuar a vida do clube. Chega a ser bizarro a previsibilidade dos que abastecem a cultura imediatista, persistindo em não querer enxergar as ideias de jogo e o desempenho do time, se voltando apenas ao resultado final do embate.

Como se um jogo se resumisse única e exclusivamente em bola na rede. Seria uma utopia dizer que um gol não tem importância. Porém, mais importante que alterar o placar, é entender como o time imaginou e executou suas ideias para chegar ao resultado.

Isso quase sempre é ignorado por aqueles que vão ao estádio, achando que seu time tem obrigação de vencer. Como se do outro lado não houvesse outra equipe com atletas e um técnico que também possuem um plano de jogo que visa neutralizar e vencer o rival.

Torcedores que quando compram ingresso, acham que estão comprando vitória, tem que começar a entender que, felizmente, vivemos outros tempos e com um futebol onde os espaços tornam-se cada vez mais escassos, mais importante que ter um time que só visa à vitória, fechando os olhos ao desempenho apresentado para chegar ao resultado, é ter uma equipe que apresenta ideias, conceitos e uma forma de jogar que foge da mesmice.

Portanto, para este que vos escreve, está nítido o início de um 2017 marcado pela instabilidade no Santos, não se deve à falta de maturidade, qualidade técnica ou desorganização tática, mas sim a uma possível falta de força psicológica, que sobrou no Palmeiras, atual campeão Brasileiro com o técnico Cuca, que hoje faz com que boas atuações do Peixe sejam afetadas pela cultura do resultado.