Número de empresários cresce e ameaça comprometer ainda mais o futebol de base

A FIFA deixou de ter participação na regularização com intermediários nas negociações de jogadores, desde abril de 2015. Um ano e meio após a decisão da entidade máxima do futebol, o número de empresários e empresas que atuam no mercado futebolístico cresceu consideravelmente.

Gabriel e Geuvânio são dois de inúmeros Meninos da Vila que tiram porcentagem maior do Peixe devido a porcentagem com empresários (Foto: Ricardo Saibun/AGIF)

Gabriel e Geuvânio são dois de inúmeros Meninos da Vila que tiram porcentagem maior do Peixe devido a porcentagem com empresários (Foto: Ricardo Saibun/AGIF)

Até um ano antes da FIFA transferir a responsabilidade para as Federações nacionais, cerca de 1680 intermediários estiveram ligados a transferências de jogadores. Após a mudança, por volta de 2221 empresários e empresas estiveram envolvidos em negociações com jogadores, um aumento de 25%.

A atuação de intermediários nas negociações do futebol foi um dos principais temas debatidos em um evento com presença de membros da FIFA e UEFA, dirigentes de clubes e empresários, no dia 12 de outubro, em Londres.

Em entrevista ao Blog DEPRIMA, o advogado e especialista em direito esportivo, Marcos Motta, relatou que uma das propostas debatidas no evento foi a de criar um órgão independente para centralizar o regulamento sobre a atuação de intermediários.

Enquanto a CBF demorar para se posicionar e não estabelecer alguma medida que iniba a atuação de empresários, o número de jogadores assediados por esses agentes continuará crescendo. E clubes formadores, como o Santos FC, continuarão sofrendo com baixo lucro através da venda de jogadores.

No início da temporada, o presidente Modesto Roma chegou a cogitar a possibilidade de criar um departamento que seria responsável por “blindar” os Meninos da Vila. A princípio, a ideia era diminuir o fluxo de empresários em torno dos atletas da base do Alvinegro. Assim, esse novo setor seria responsável por planejar e gerir a carreira dos jogadores.

No entanto, após 10 meses desde que Modesto citou o projeto, aparentemente, nada saiu do papel, e, por mais alguns anos, o torcedor santista verá os Meninos da Vila sendo negociados e rendendo lucros irrisórios.